O ex-banqueiro Daniel Vorcaro iniciou, nesta semana, uma série de depoimentos à Polícia Federal no âmbito de um processo de pré-delação, etapa que antecede a formalização de um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Apesar de uma resistência inicial em abordar sua relação com ministros do Supremo Tribunal Federal, a orientação da defesa é clara: não poupar ninguém que tenha tido participação ou envolvimento em eventuais articulações. A estratégia busca ampliar as chances de redução de pena e garantir benefícios mais efetivos em troca das informações prestadas.
A reportagem apurou que o discurso de colaboração irrestrita pode ser utilizado como uma forma de fortalecer as negociações com os investigadores. Ainda assim, não está definido até que ponto Vorcaro pretende avançar em relação a autoridades do Judiciário, especialmente considerando que a palavra final sobre a validade de um acordo de delação cabe ao próprio STF — fator que pode impor cautela ao delator.
Não há precedentes no Judiciário brasileiro de casos em que ministros da Suprema Corte tenham sido alvo de investigações abertas com base em delações dessa natureza. Para que eventuais citações avancem, será necessária a apresentação de provas consistentes, sob risco de que as acusações sejam tratadas apenas como ilações.
A movimentação ocorre após Vorcaro formalizar, na semana passada, a assinatura de um termo de confidencialidade — etapa inicial que permite o compartilhamento de informações sob sigilo. A partir desse momento, os dados começam a ser analisados pelas autoridades antes de uma possível formalização definitiva do acordo de colaboração.
