Apresentada em feira de tecnologia em Las Vegas, “Emily” é vendida como “companheira perfeita” e levanta questionamentos éticos e sociais
Uma boneca hiper-realista equipada com inteligência artificial e sensores corporais, apresentada recentemente em uma feira de tecnologia em Las Vegas, nos Estados Unidos, voltou a provocar um intenso debate mundial sobre os limites da inovação e os impactos da tecnologia nas relações humanas.
Batizada de “Emily”, a criação da empresa Lovesense não é divulgada apenas como mais um produto tecnológico, mas como “o futuro” de um setor que aposta na fusão entre corpo sintético e sistemas de IA capazes de moldar personalidade, respostas emocionais e formas de interação conforme o perfil do comprador.
Segundo a empresa, o objetivo é “estimular emoções” e promover “conexão” com o usuário. No entanto, o discurso de marketing, que apresenta a boneca como uma “companheira perfeita” — sempre disponível, programável e sem conflitos — tem levantado alertas entre especialistas, pesquisadores e críticos sociais.
Para eles, o avanço desse tipo de produto pode representar mais um passo na transformação da intimidade em mercadoria, incentivando relações totalmente controláveis e previsíveis, em contraste com os vínculos humanos reais, que exigem diálogo, limites, respeito e responsabilidade.
Críticos também apontam o risco de que esse tipo de tecnologia estimule o afastamento da convivência social. O argumento é que, quanto mais alguém se acostuma a interações moldadas sob medida, menos tolerância pode desenvolver para relações reais, marcadas por diferenças, frustrações e construção mútua.
No limite, “Emily” é apresentada como solução para a solidão e a frustração, mas, para muitos analistas, o produto escancara uma discussão mais profunda: estaria a tecnologia sendo usada para substituir afetos reais por simulações programadas?
